Capsulite adesiva do ombro


A dor no ombro é uma queixa muito comum. Dentre as principais causas estão as tendinites do manguito rotador, dores musculares e roturas de tendões. A capsulite adesiva, apesar de pouco diagnosticada, é uma patologia frequente do ombro e responsável por quadros prolongados de dor e limitação funcional.


O termo "capsulite" refere-se à inflamação da cápsula articular. Como todas as articulações, o ombro é revestido por uma cápsula, ou invólucro, que isola a articulação das estruturas ao redor. A cápsula tem a função de manter a lubrificação articular pela produção do líquido sinovial (produzido em uma camada interna chamada membrana sinovial); e estabilizar a articulação por meio dos ligamentos, que são formados por espessamentos da cápsula.

A capsulite adesiva é um processo inflamatório da cápsula articular que leva a dor e perda progressiva de movimento. Com o avanço da doença, ocorre um espessamento da cápsula, levando a perda de sua elasticidade normal, causando o bloqueio do movimento. O termo "adesiva" refere-se à aderência da cápsula inflamada aos tecidos ao redor, contribuindo com a rigidez.



Na maioria dos casos, não existe um fator desencadeante específico, sendo chamada, neste caso, de capsulite adesiva primária, ou idiopática. Em uma menor parte dos casos, é identificado um fator causal. Dentre os principais estão o diabetes mellitus, doenças cardíacas e neurológicas, alterações da tireóide, cirurgias torácicas e uso de alguns medicamentos.


Traumatismos do ombro também podem desencadear processos inflamatórios na cápsula, apresentando comportamento semelhante ao da capsulite adesiva. Porém, neste caso, o quadro de dor e limitação pode ser causado pelas lesões associadas ao trauma, como fraturas, lesões de ligamentos e da cartilagem, e não exclusivamente à inflamação da cápsula.


A capsulite adesiva primária acomete principalmente mulheres entre 40 e 60 anos. A etnia oriental é mais acometida. Sua característica clínica é um quadro de dor que evolui progressivamente com rigidez articular, com limitação de alguns movimentos do ombro, como colocar a mão nas costas ou elevar o braço para pegar objetos em locais altos. Por isso, é também chamada de "ombro congelado" ("frozen shoulder").


A história natural da capsulite adesiva pode durar de 1 a 2 anos e é dividida em 3 fases:

  • Inicial ou inflamatória: existe dor em diferentes movimentos, principalmente rotação do ombro (ex: movimento de vestir um casaco); dor em repouso e ao dormir. Nesta fase a amplitude de movimento ainda está preservada. Pode ser leve e durar poucos dias, como pode durar vários meses.

  • Ombro congelado: ocorre diminuição da dor, mas perda progressiva da amplitude de movimento ativo e passivo (mesmo com ajuda externa, alguns movimentos do ombro ficam bloqueados). A limitação ocorre mais pela perda de movimento do que pela dor. Costuma durar alguns meses, podendo chegar há mais de 1 ano. Quanto maior o grau de rigidez, mais tempo é esperado para a recuperação.

  • Descongelamento: existe recuperação gradual da amplitude de movimento, com níveis de dor cada vez menores. O paciente percebe que passa a realizar movimentos de vida diária que não conseguia nos últimos meses. Na maioria dos casos, existe uma recuperação significativa da movimentação, mas é frequente permanecerem limitações discretas no longo prazo.


O diagnóstico da capsulite adesiva é baseado principalmente na história clínica e exame físico. Uma história de dor sem causa aparente que progride com perda de movimento deve levantar a suspeita. A principal característica é o bloqueio de movimentos passivos (com ajuda do examinador). Radiografias e ressonância magnética ajudam a descartar outras causas e confirmar o diagnóstico.


O tratamento da capsulite adesiva deve ser individualizado de acordo com a fase da doença. Pacientes na fase inflamatória apresentam benefício com o uso de anti-inflamatórios, corticóides e infiltração articular. A fisioterapia também contribui com o alívio da dor, mas nesta fase deve-se ter cuidado com manipulações excessivas para que não haja piora do quadro inflamatório.


Para os pacientes na fase de combro congelado, que apresentam mais rigidez e menos dor, a fisioterapia motora oferece bons resultados. Nesta fase, é possível realizar a manipulação articular com intensidade crescente, contanto que não haja piora do nível de dor. Sessões curtas e frequentes de alongamento da cápsula são mais efetivas do que sessões longas e esparsas ao longo dos dias.


A maioria dos pacientes apresenta bons resultados e o tratamento bem conduzido e bem executado costuma encurtar a história natural da doença significativamente. Em uma menor parte dos casos, a resposta é mais lenta e a rigidez articular pode persistir por meses a anos. Para estes casos existem opções mais invasivas, destacando-se a manipulação articular sob sedação anestésica e a artroscopia para liberação da cápsula. Quando bem indicados, esses procedimentos apresentam bons resultados clínicos, contribuindo para uma recuperação funcional mais rápida.










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