• Fernando Brandão

Ombro congelado (Capsulite adesiva): diagnóstico e tratamento

Atualizado: Mar 22


Definição

O ombro congelado, ou capsulite adesiva, é um processo inflamatório da cápsula do ombro. A cápsula é um tecido elástico que reveste a articulação e produz o líquido sinovial, que lubrifica a articulação. Na capsulite adesiva, ocorre uma inflamação desta estrutura, causando dor e perda de movimento. Ocorrem também aderências entre a cápsula e as estruturas próximas, o que leva à rigidez, ou perda de movimento.


Aderência da cápsula articular glenoumeral no ombro congelado - capsulite adesiva

Sintomas

O sintoma inicial da capsulite adesiva é dor no ombro. No início, o quadro se confunde com bursite ou tendinite, mas na capsulite a dor aparece principalmente nos movimentos de rotação, como colocar um casaco ou blusa, e outros movimentos que necessitam rotação para trás do corpo. É comum a dor ser pior de manhã e melhorar parcialmente ao longo do dia. A dor também aparece à noite ao deitar, e existe dificuldade para encontrar posição para dormir.



Perda de movimento


Após um período de semanas a meses, ocorre perda da amplitude de movimento, que pode ser leve e pouco perceptível, como pode ser significativa, causando grande limitação. A perda de amplitude caracteriza a capsulite como ombro congelado, devido à rigidez articular. Esse sintoma é percebido em atividades do dia-a-dia, como para realização de higiene pessoal, dificuldade nas mulheres para colocar sutiã, ou dificuldade para pegar objetos em uma prateleira. Na comparação, o paciente nota que o ombro dolorido tem menos mobilidade que o outro lado, como na elevação do braço acima da cabeça


Limitação de movimento no ombro congelado - capsulite adesiva

Causas


As principais causas da capsulite adesiva estão relacionadas a alterações hormonais ou metabólicas, mas na maioria dos casos não é possível identificarmos um fator específico, como alterações em exames de sangue que expliquem o aparecimento da doença. Neste caso, a alteração é caracterizada como primária, ou idiopática (sem causa identificada), sendo o mais comum.



Fatores de risco


O ombro congelado aparece principalmente em mulheres entre 40 e 60 anos. A etnia oriental também é considerado um fator de risco. Em alguns casos, a condição aparece após alguma doença, como o diabetes mellitus, doenças cardíacas e neurológicas, alterações da tireóide, ou após cirurgias torácicas, cirurgias plásticas, uso de alguns medicamentos e traumatismos do ombro.



Diagnóstico


O diagnóstico da capsulite adesiva é realizado principalmente pela história clínica e exame físico. A dor sem causa aparente que progride com perda de movimento deve levantar a suspeita. A principal característica é a perda progressiva da amplitude de movimento do ombro. O ortopedista deve suspeitar de capsulite com base nas características da dor e pela perda de movimento em algumas direções, mesmo que seja discreta.



Imagem de ressonância magnética com edema e aderência da cápsula inferior do ombro na capsulite adesiva (ombro congelado)

Exames de imagem


Radiografias são necessárias para descartar outras patologias, como osteoartrose ou alterações da estrutura óssea do ombro, e a ressonância magnética tem sido cada vez mais importante no diagnóstico, sendo possível identificar sinais de inflamação da cápsula articular e aumento da espessura, relacionada à presença de fibrose e aderência às estruturas mais próximas.












Diagnósticos diferenciais

Algumas fraturas, como da parte superior do úmero, ou luxações do ombro com lesão de ligamentos podem apresentar perda de movimento durante a evolução e características semelhantes ao ombro congelado. Porém, a perda de movimento pode ser pela lesão traumática em si, como no caso de uma fratura consolidada de forma inadequada. A artrose do ombro (degeneração da cartilagem articular) também é uma causa importante de rigidez do ombro e pode ser confundida com a capsulite adesiva.



Evolução natural


A história natural da capsulite adesiva pode durar de 1 a 2 anos e é dividida em 3 fases:

  • Inicial ou inflamatória: existe dor em diferentes movimentos, principalmente rotação do ombro (ex: movimento de vestir um casaco); dor em repouso e ao dormir. Nesta fase a amplitude de movimento ainda está normal ou pouco limitada. Pode ser leve e durar poucos dias, como pode durar vários meses.


  • Ombro congelado: ocorre diminuição da dor, mas perda progressiva da amplitude de movimento. A dificuldade ocorre mais pela perda de movimento do que pela dor. Pode durar de 6 meses a 1 ano. Quanto maior o grau de rigidez, mais tempo é esperado para a recuperação.


  • Descongelamento: existe recuperação da amplitude de movimento, com níveis de dor cada vez menores. O paciente percebe que passa a realizar movimentos de vida diária que não conseguia nos últimos meses. Na maioria dos casos, existe uma recuperação significativa da movimentação, mas é frequente permanecerem limitações discretas no longo prazo.


Tratamento


Fase inflamatória


O tratamento da capsulite adesiva deve ser individualizado de acordo com a fase da doença. Pacientes na fase inflamatória apresentam benefício com o uso de anti-inflamatórios, corticóides e infiltração articular. A fisioterapia contribui para o alívio da dor, mas nesta fase deve-se ter cuidado com manipulações excessivas para que não haja piora do quadro inflamatório.


Fase de congelamento - rigidez articular


Para os pacientes na fase de combro congelado, a fisioterapia deve progredir nos exercícios para alongamento da cápsula. Nesta fase, é possível realizar a manipulação articular com intensidade crescente, contanto que não haja piora do nível de dor. Sessões curtas e frequentes de alongamento da cápsula são mais efetivas do que sessões longas e esparsas ao longo dos dias. A maioria dos pacientes apresenta bons resultados e o tratamento bem conduzido e bem executado costuma encurtar a história natural da doença


Exercícios para alongamento da cápsula articular e ganho de movimento no paciente com capsulite adesiva - ombro congelado.

Procedimentos


Alguns pacientes necessitam a realização de procedimentos para melhora do quadro. A infiltração articular com corticóides e manipulação articular sob anestesia é uma boa opção para os pacientes que não apresentam melhora com fisioterapia. É um procedimento realizado com sedação anestésica, semelhante a procedimentos de endoscopia, permitindo que o paciente tenha alta poucas horas após sua realização. Em casos com maior rigidez, com longo tempo de evolução e causas secundárias (cirurgias prévias, fraturas, etc) pode ser necessário a realização de cirurgia (video-artroscopia) para liberação das aderências, fibrose e alongamento da cápsula.

Autor:

Dr. Fernando Brandão de Andrade e Silva é médico ortopedista especialista em cirurgia do ombro e cotovelo, com graduação pela Faculdade de Medicina da USP, residência médica no IOT-HCFMUSP e doutorado no Departamento de Ortopedia da USP. Atua na área de assistência, ensino e pesquisa no Hospital das Clínicas da USP. Realiza atendimento em clínica particular e cirurgias nos principais hospitais de São Paulo.

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